A palavra “cura” é muito relativa e abre campo para discussões intermináveis acerca de seu significado. Poderíamos considerar, resumidamente, que é possível que pessoas que viveram situações de violência (físicas ou psicológicas) durante um longo período de suas vidas, ressignifiquem as experiências e encontrem novos referenciais para continuar vivendo, apesar da violência sofrida. Elas podem voltar a acreditar em relações livres da violência, embora suas memórias estejam sempre presentes. Contudo, é importante ressaltar que para cada uma dessas pessoas este processo será vivido de forma única, de acordo com os recursos que encontrar em si mesma e no ambiente ao seu redor. As marcas e consequências também devem ser compreendidas como únicas a cada uma dessas pessoas. Não há regras. Além disso, muitos fatores estão relacionados à recuperação das vítimas de violência, como a idade ou o período de tempo em que isso se deu, o tipo de vínculo desta pessoa com o agressor e a rede de apoio encontrada. Na vida, nem tudo é totalmente bom ou mal, a própria situação de abuso pode ser prazeroso, por mais absurdo que isso possa soar para a maioria das pessoas. A vítima pode ainda se sentir culpada por não conseguir se livrar da situação, ignorando o fato de que não é responsabilidade dela por um fim a isto. Não desista de se recuperar apesar do que sofreu, liberte-se das dores escrevendo. E por que escrever? É catártico. É para colocar tudo para fora. É libertador, principalmente por eu ter tido que suprimir tanto. E tem algo (bom) em colocar tudo no papel. (O abuso) nunca te deixa, mas seu fardo fica mais leve.
Susete Pasa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.