A ideia de que o estuprador é um estranho que aborda suas vítimas em locais públicos e de forma aleatória, não condiz com os dados que existem sobre este tipo de crime. Boa parte dos casos de estupros são cometidos pelos próprios parceiros ou conhecido da vítima. Isso acontece em todas as classes sociais, em casa, na rua, numa festa e até no trabalho. Há casos em que a vítima está consciente, outros em que não. @mariderrer. Eu aprendi que, se eu não fosse capaz de satisfazer meu marido em todas as suas necessidades sexuais, ia perdê-lo para outra mulher. Eu tinha medo de que, se eu passasse duas ou três noites seguidas sem satisfazê-lo, ele iria me deixar. Também recebi relatos de outras mulheres que, como eu, passaram por algum tipo de abuso sexual sem nem saber.

“Quando eu estava lavando a louça, ele chegava por trás e me encoxava violentamente”.”Eu concordava em participar de relações sexuais que me deixavam profundamente desconfortável, eu tinha medo de dizer não”. “Geralmente eu acordava no meio da noite com ele em cima de mim, enfiando os dedos, tentando me penetrar à força. Não havia consentimento. Às vezes ele parava, às vezes não”. “ A primeira vez que resolvi dizer “não”, fui chamada de “frígida”. Eu entreguei meu corpo e se eu ousasse negar, ele ia me estuprar, e eu seria a culpada por estragar nosso relacionamento, afinal, “um homem tem necessidade”. “Eu fui criada para acreditar que, se um homem se sentisse provocado por mim, era meio que culpa minha. Eu acho que foi por isso que eu nunca denunciei. Na verdade, nunca contei para ninguém.” “Ele chorava e dizia que não se sentia amado, que não estávamos fazendo sexo com a frequência que ele gostaria. As coisas mudava em questão de minutos, de lágrimas, a ele em cima de mim, abrindo minhas pernas e forçando a penetração” Sempre tive a consciência de que aquilo tinha sido um estupro, mas nunca tive coragem de contar pra ninguém.Nunca considerei fazer uma denúncia por causa da nossa filha, não queria que ela soubesse isso sobre o pai dela.”

Para muitas vítimas é mais fácil pensar que você está experimentando um tipo de “estupro light” “sexo sem vontade”, do que lidar com a realidade de estar sendo estuprada por quem você ama. É mais fácil invalidar sua experiência do que aceitar isso. Pensamos que estupro é algo agressivo e doloroso que acontece em ruas escuras. Pensamos em estranhos. Mãos tapando a boca. Armas. Etc… Mas 90% dos estupros que acontecem são cometidos por conhecidos da vítima. Para muitas mulheres, incluindo eu mesma, o ato foi envolto em desconforto, mas não em violência evidente. Mas nenhum advérbio pode reduzir o que é estupro. Nossas percepções de relação sexual forçada e sem consentimento ainda estão trancadas em áreas assustadoras, mas a realidade é que, para muitas, estupro acontece em relacionamentos que seriam considerados “normais”. Isso se torna um elefante silencioso. Vocês sabem o que está acontecendo, mas se recusa a abrir a porta, porque senão estarão literalmente “fodi$%s”.

Se você ou alguém que você conhece está sofrendo algum tipo de abuso e precisa de ajuda ou apoio, a Central de atendimento à mulher funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Ligue para 180.

Susete Pasa

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