No início eu lembrava o meu passado e ficava triste. Depois fui me acalmando, relembrava e já não doía tanto. Aos poucos fui sentindo uma espécie de alívio, uma gratidão pela minha libertação. Fui seguindo o meu fluxo. Com o tempo eu nem fazia questão de lembrar. A vida é feita de momentos, escolhas, consequências, oportunidades, alegrias, tristezas, atitudes, decepções, frustrações, possibilidades, expectativas, incertezas, sucessos e tudo o que é realidade desse mundo. Na verdade, a vida é como uma montanha russa. Nossa cultura não nos ensinou que a felicidade genuína é conquistada no convívio afetivo com outras pessoas, praticando a empatia, a generosidade e a compaixão. No reconhecimento de que, mesmo que a vida tenha nos dado uma rasteira, ainda há motivos para agradecer. No aprendizado de que o mais importante não é o que recebemos do mundo, e sim aquilo que a gente oferece. Enquanto continuarmos acreditando que nossa felicidade está no parceiro perfeito, permaneceremos insatisfeitas e inseguras, pois é impossível controlar o que vem de fora. Porém, quando entendemos que essa felicidade pela qual nos esforçamos pode vir de dentro, ficamos mais resistentes ao que a vida nos tira, e menos deslumbrados ao que ela nos dá. Feliz é quem entende que tudo passa. Quem sabe que bênçãos e adversidades se intercalam na vida de todos, mas não são elas que determinam se somos ou não realmente felizes. Feliz é quem não deposita seu bem estar permanente naquilo que é perecível, nem recusa a alegria duradoura em nome de um prazer momentâneo. Porque depois que passa, restamos nós e o que fizemos de nós. As vidas que tocamos, as oportunidades que aproveitamos, as escolhas que fizemos, a gratidão que temos, a compaixão que desenvolvemos, o amor que ofertamos, o perdão que não recusamos, e finalmente a felicidade que tanto buscamos na simplicidade de ser, não o de ter…
Susete Pasa

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