Avaliação:
5/5

Vamos de Zafón novamente? Este é o meu segundo livro preferido, dos preferidos…Como parte desta história, me considero um caçadora de livros… A leitura é quase um ritual sagrado para mim, busco sempre escritores diferentes e suas obras primas. Zafón, é sem duvida, a maior revelação literária da minha vida. Enquanto eu lia, me perguntava: Será? Será que é tudo isso que dizem por ai? Pois é isso e muito mais…(Obviamente com um dicionário ao lado para compreender certas palavras escritas…)

Záfon é um mestre da escrita. No livro, adentramos em uma Madri gótica, misteriosa…eu gostaria muito de percorrer as ruas de Madri com o meu livro em mãos… A sombra do vento é denso, assombrado, assombroso. Ainda criança, Daniel Sempere, vai ao “Cemitério dos livros” junto com seu pai, e escolhe um livro ao acaso: “A sombra do vento”, o lê, fica curioso para saber sobre o autor Julian Caráx. A partir dai, ao lado do amigo Fermin, ele começa uma busca sobre Júlian, uma vez que todos os livros deste autor estão sendo queimados, Daniel fica intrigado, e descobre em Júlian um desafortunado escritor com uma vida problemática, sem saber que começava sua maior aventura que mudaria sua vida.

Desvendando segredos e o passado, correndo perigo, adentrando numa história real repleta de intrigas, amor, tristezas, mais misteriosa do que qualquer livro do mundo. Me encantei completamente pelo mundo do livro. Parece coberto de uma névoa, como se fosse um terrível, poético e incerto sonho. Demoramos a engatar a leitura, pois a história é bem bolada, a desvendamos pouco a pouco, conhecendo Madri da década de 1940 assim como da metade dos anos 1910 e seus dramáticos habitantes. Os personagens assim como todo o livro, são complexos, problemáticos.

Dentre eles, Julian é o destaque, ofusca todos os outros, ele é marcante. Uma criança indesejada, um filho não amado. Um escritor incompreendido. Mas um homem amado. Vítima das circunstâncias, perseguido por fantasmas do passado. Melancólico,  carrega imensas dores dentro de si. Fermin, o fiel amigo de Daniel, é outro que dá brilho a trama, ao contrário de Júlian, ele chega a ser engraçado, com seus comentários irreverentes e sua personalidade própria.

A Sombra do Vento é um livro que fala sobre um livro. Fala sobre a forma como duas vidas e os vários anos entre elas, se entrelaçam transformando tudo ao redor. O livro é ambientado numa época de pós-guerra, então o clima cinza e desesperançoso também é muito bem descrito pelo autor. 

É fácil se sentir imerso neste universo e sentir cada arrepio que os dias chuvosos do livro proporcionam. Não me recordo de ter lido, até agora, algo como A Sombra do Vento, algo tão descomplicado ao mesmo tempo que profundo, um livro que me proporcionou vários momentos surpreendentes. Por muitos me vi chocada com os fatos descritos, e me flagrei completamente atônita. A obviedade é deixada de lado e o autor, que mantém o tom obscuro de sua narrativa até o fim, vai nos levando a crer naquilo que ele deseja. 

É como se Zafón escolhesse muito bem cada ponto final, para que tudo se encaixe perfeitamente e para que tudo pareça ganhar vida como se sempre tivesse existido. Essencialmente, este também é um livro que fala sobre encontros e desencontros, sobre as dificuldades da vida, as voltas que ela dá e as pessoas que cruzam nossos caminhos, é um romance trágico, emocionante e repleto de segredos velados.

Susete Pasa

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