Avaliação:
5/5

É um romance que tem a medicina como fio condutor. 

O cenário é a pobre Adis Abeba, capital da Etiópia, em 1954. É a história de uma freira-enfermeira que, após uma viagem fatídica de navio, conhece um cirurgião inglês, e cuida dele, mudando totalmente seu destino. Depois de se conhecerem no navio que os levou da Índia, para o Iêmen, o médico inglês chamado Thomas Stone, e a freira carmelita Mary Joseph Praise, se reencontram num hospital em Adis Abeba, capital da Etiópia. Da união proibida entre os dois, nasce um par de gêmeos unidos pela cabeça. Além de ficar fascinada por uma santa de hábitos orgásticos e ter filhos, ela marca a história do lugar para onde vai. Só isso, já seria suficiente para despertar interesse no leitor. E para quem gosta de histórias sobre medicina, o livro é um prato cheio. 

Shiva e Marion, irmãos gêmeos siameses, nascidos com as cabeças grudadas, são fruto dessa relação proibida e nada convencional. A freira morre no parto, e os bebês são submetidos a uma cirurgia de separação, sendo em seguida abandonados pelo pai. Eles foram criados por um casal de missionários médicos. E apesar de fisicamente separados, essa união que marcou o início da vida de Shiva e Marion vai deixar marcas profundas e permanentes. O leitor acompanha o crescimento dos garotos em uma cidade marcada pela pobreza. Como os pais de criação são médicos, Shiva e Marion vivenciam de perto as dificuldades e a precariedade do sistema hospitalar de um país pobre. Mas isso não os impede de seguir a mesma carreira. 

Além disso, a infância dos irmãos é atormentada por dúvidas sobre o seu passado e que nunca foram respondidas. O autor consegue trazer ao leitor uma descrição extremamente interessante da Etiópia, inclusive, com fatos históricos verídicos que marcaram o país. Uma leitura muito envolvente, com personagens bem desenvolvidos. Para quem é da área da medicina, é uma leitura indispensável. Revela aspectos muito interessantes da relação entre médico e pacientes, e do exercício da profissão em condições precárias. 

É a visão do médico como ser humano, aquele que se doa ao próximo. Talvez, o fato de o autor também ser médico, possa ter contribuído para a sensibilidade de sua visão sobre o tema. Excelente leitura!

Susete Pasa

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