Avaliação:
5/5

**Quem me conhece sabe que a grande influência para meu gosto literário foi a Neusa Bischoff. Tenho memórias incríveis, maravilhosas, desta família. Eu passei a minha infância com as filhas dela, as férias, o colegial, enfim… uma parte do que sou, devo a essa família que amo muito. Graças à influência da Neusa eu me tornei uma “leitora dedicada”. E é para ela que dedico essa resenha.**

Livro “Marina”

Para quem já leu livros de Ruiz Zafón, sabem perfeitamente o que vão encontrar neste título do autor. Em “Marina”, Zafón repete a dose dos livros anteriores, provando, definitivamente, que é um excelente contador de histórias. Ele tem um estilo narrativo impressionista, a qual se desenvolve como uma tela de pintura onde luz e sombra são pinceladas. Este é o seu quarto livro, e na minha humilde opinião, ele é um mestre do thriller de suspense e mistério.

Marina é um thriller de suspense, mistério, um toque de sobrenatural, com algumas pitadas bem interessante de terror. Também tem romance, obviamente, e drama. Drama profundo, humano, marcante e arrebatador. Mas não é um dramalhão… Zafón sabe mesclar esses valores em suas obras: suspense, mistério, crime, amor, paixão, romance, sem exagero ou pedantismo. Seu drama não é piegas, mas humano e verdadeiro, poi’s nos identificamos lendo.

Em Marina, Zafón trás uma narrativa viciante e carismática, onde suas ideias fluem naturalmente sobre o papel. A atmosfera tem um toque impressionista, cheia de sombras onde é possível adivinhar formas obscuras rastejando-se de um lado ao outro, sempre à espreita. Me apaixonei pelo drama do Óscar e de seus novos amigos, Marina e Germán. É um drama super envolvente que nos prende desde a primeira página até a última. Nos trás uma gama de outros personagens, intrigantes, assustadores e inteligentes carregando atrás de si uma névoa de mistério e terror. E por falar em terror, achei a cena da estufa e das galerias de esgoto, super apavorantes, de arrepiar. Zafón tem o poder de transformar em escrita aquilo que nós só veríamos em filme. Quando se lê seus livros, se tem a impressão de vislumbrarmos diante dos olhos o que ele está contando. Naturalmente, essa é a função de todo bom contador de histórias, não é?

Marina é narrado na primeira pessoa, sob a ótica do personagem Óscar, um jovem adolescente que vive em um internato. Na visão deste personagem, iremos conhecer o drama existencial de Marina ê, de igual forma, nos aprofundamos num mistério sombrio que envolve a “Dama de negro”, uma mulher misteriosa que visita um cemitério mítico oculto nas brumas de Barcelona que, certamente, deixará você de cabelos em pé. Eu fiquei, confesso…

Em suma, Marina tem excelente narrativa, uma boa história, personagem maravilhosos, drama intrigante, suspense angustiante, mistério sombrio, terror, assassinato… Tudo o que um bom livro do gênero deve ter. Além disso, só falta eu dizer que gostei MUITO do livro. Zafón conseguiu provar que, em 189 páginas, não é preciso escrever um livro de seiscentos e tantas páginas para se contar uma boa história, fiquei com um gostinho de quero mais quando terminei o livro, não pela falta de páginas, mas pela história envolvente que me arrebatou desde o início. Depois de toda tensão sofrida ao longo da leitura, o final é de uma dramaticidade marcante. É impossível não chorar… e é óbvio que eu chorei.

Susete Pasa

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