Avaliação:
5/5

O Conto da Aia é simplesmente uma obra-prima. Escrito por Margaret Atwood, é algo complexo e merece muito a nossa atenção.

É uma ficção científica que nos causa incômodo e desconforto, isso por enxergamos os nítidos traços de realidade em suas páginas. Mostra a vida na República de Gilead (antigo EUA) que após sofrer uma revolução teocrática, passa a ser governado por militares radicais cristãos. Com uma interpretação exagerada do Velho Testamento bíblico, os novos governantes excluem as mulheres da vida em sociedade, dividindo-as em castas, com funções bem definidas. Em Gilead, a mulher ocupa o lugar mais baixo da sociedade, sem direito a opinar, se expressar, ter sentimentos, ou mesmo ser alfabetizada.

A narradora, Offred, é uma aia que vai contando a sua rotina na casa do Comandante, está ali com a única função de lhe dar um filho. Relembra o seu passado com um marido e uma filha, e descreve passagens em que mostra os horrores dos novos tempos, tecendo um mosaico de situações, dentre as quais, que Gilead enfrenta conflitos com outras nações, que a radiação trouxe a infertilidade, por esse motivo as mulheres saudáveis, com capacidade de gerar a vida, são recrutadas para o posto de aias.

Ao imaginar um país comandado por cristãos radicais, Margaret Atwood nos mostra as várias possiblidades de dominação que povos podem sofrer, independente de credos, raças ou culturas. Sem poupar o leitor de cenas fortes e nauseantes, Atwood produziu um grito de alerta contra os grupos e pensamentos que vivem à espreita do poder. A barbárie que acontece ficticiamente em Gilead, principalmente e quase unicamente com as mulheres, acontece nas vielas e becos de países mundo a fora, perseguições políticas e assassinatos de opositores de governos, são realidade pouco além de nossas fronteiras.

Em suma, O Conto da Aia traz desconforto, porque ele se mostra ameaçadoramente real em discursos e noticiários que temos acesso diariamente, é uma distopia poderosa para ser lida e assimilada em toda a sua essência, alertas e mensagens.

Susete Pasa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *