A agressão física não é a única forma de violência contra as mulheres: há a psicológica, a sexual, a moral e a patrimonial. Todas elas são consequências de um relacionamento abusivo. Só que uma parcela das vítimas não consegue identificar que está vivendo esse tipo de relação com seu companheiro.

Como identificar se estamos em um relacionamento abusivo?

Há muitos sinais, porque o abuso não significa uma agressão “do nada”. Ninguém chega dando tapa na cara da parceira. Até porque, se fizer isso, ela vai cair fora. Então, o abuso pode culminar na violência física, mas ele começa com as formas verbal e psicológica.

Dito isso, é muito importante notar que existe um mito de que ciúme é um sinal de amor. Isso não é verdade. Muito ciúme não quer dizer mais amor, e sim que a pessoa está te manipulando. Esse abuso acontece pelo controle, e é representado por falas como “eu te amo tanto que te quero só para mim” ou “eu te amo tanto que vou te dar tudo, então não quero que você trabalhe”.

A mulher passa a ser cerceada. Não possui mais independência financeira, não consegue ir e vir porque tudo gera briga. E, em nome do amor, até porque foi ensinada que é necessário abrir mão de coisas para fazer o casamento dar certo, ela vai se anulando. Aí, o abusador começa a expressar coisas como: “sua amiga não presta”, “sua família não gosta de mim, não quero que você vá lá”, “para que sair com amiga para jantar? Janta comigo, eu saio com você”. O abuso tira toda a rede apoio dela. Também há muito “gaslighting”, que significa fazer a mulher acreditar que perdeu o senso crítico. O companheiro fala que ela nunca entende de verdade o que ele diz. Um exemplo: “Comentei que você está gorda, mas foi brincadeira, você que não entendeu”. Ela vai, assim, desacreditando da própria percepção. O abuso sexual é outra coisa que vemos muito nos casamentos. Às vezes, a esposa não deseja transar e o marido fala “você é minha, precisa fazer o que eu quero”. Isso é estupro! O casamento não significa que a mulher deve fazer o que não tem vontade nem que o homem pode fazer tudo que quiser.

E por que é tão difícil sair de uma situação assim?

Quando a mulher tenta, não consegue. Criou uma dependência emocional. E aí, começa a ouvir do parceiro que, se ele não a quiser mais, ninguém vai querer também, porque ela é desinteressante. Ora, se ela permanece só dentro de casa, é claro que falará só do filho, dos afazeres domésticos e do cachorro.

Se acontece uma traição, é o momento em que escuta “você está louca, eu não fiz nada disso, está vendo coisa!”. Enfim, vai perdendo o senso crítico e se abandonando. Isso não acontece de uma vez, são doses diárias de violência psicológica.

Susete Pasa

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